Control Z


A gente começa este blog com o primeiro episódio de uma série mexicana que estreou durante a quarentena, neste maio de 2020, mundialmente, incluindo, é claro, a Netflix Brasil.
Esta é uma série com elenco principal jovem voltada, principalmente, para um público jovem. A primeira temporada tem 8 episódios e o primeiro episódio tem 36 minutos.
A personagem principal, Sofia, é uma garota introvertida, muito inteligente, obsessivamente observadora, que já teve suas passagens por clínicas psiquiátricas, talvez relacionadas ao trauma da perda do pai, na infância, em um evento que começa a aparecer em flashbacks, mas não fica muito claro do que se trata. Gostei bastante da atriz (Ana Valeria Becerril).
Ela está lendo Guerra e Paz, de Leon Tolstoi, num volume antigo emprestado por um amigo do pai dela. Mas ao mesmo tempo, não deixa de dar uma boa conferido no corpo atlético de Javier (Michael Ronda), o recém-chegado aluno ao Colégio Nacional.
Há takes muito bonitos. A cena principal de apresentação dos personagens é bastante interessante e reveladora tanto quanto ao núcleo principal quanto com relação à própria Sofia.
A série usou um recurso bem legal que eu não tinha visto até agora em nenhuma outra série!
Em vários momentos, aparecem em destaque o que seriam as telas dos celulares dos estudantes, e o que está escrito não está em espanhol, como se esperaria, considerando que é uma série mexicana, mas sim em português! Imagino que pra cada país onde ela estreou, o recurso deve apontar para o idioma do país onde você assiste.
Assim é também na cena clímax do episódio, onde aparecem coisas na tela da grande sala de aula e tudo aparece em português também. Gostei bastante disso. É um cuidado com a audiência que agrega bastante valor.
Bem, é uma séria que retrata jovens de classe média alta. Não me surpreende, mas incomoda, que o único ator do núcleo principal que tem ascendência visivelmente nativa mexicana, é Luis, o cara introvertido que sofre bullying dos machos escrotos do lugar. Pelo que me parece, deve haver um processo de invisibilizar os mestiços e nativos, que são maioria da população, assim como acontece no Brasil, com pretos e pardos.
E há uma personagem, Isabela, que é uma mulher trans. Felizmente, é interpretada por uma atriz que é uma mulher trans! Ufa! É muito importante ainda que isso aconteça e deverá ser por algum tempo até que atores e atrizes trans possam fazer quaisquer papéis no audiovisual.
Eu assisti metade do episódio com o áudio original e a outra metade dublada e devo dizer que a dublagem está muito boa. É da MGE Studios, do Rio de Janeiro e conta com bons e boas dubladores no time, incluindo aí Monica Rossi e Charles Emmanuel, com a direção de Mario Jorge.
A produção e a direção é de homens (Carlos Quintanilla Sakar e Miguel García Moreno), mas a roteirista é mulher (Adriana Pelusi)! Tenho ficado de olho nisso ultimamente. Acho fundamental que os times de criação sejam mistos!
Por fim, devo dizer que o gancho final do episódio é bom e dá sim vontade de continuar assistindo a série.
Mas o objetivo aqui é avaliar somente os primeiros episódios... então amanhã tem mais uma série. Quem sabe um dia eu tire tempo para ver tudo!

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